terça-feira, 23 de agosto de 2016

Sobre o tal você

Eu conheço o cheiro da tua intimidade
Estou decorando seus caprichos, suas vontades
Eu quero aprender tudo a seu respeito
Pra quando eu te levar pra cama, saber te despir direito

V-me

Lave-me
Leve-me
Live-me
Love-me
Luve-me

A minha sorte é

A minha sorte é ter você aqui por completo, viajando na mesma maionese que a minha.
A minha sorte é acordar quando se mexe de noite, porque estou te empurrando da cama.
A minha sorte é planejar um futuro ecológico, e meus netos correndo pelo quintal cheio de árvores.
Minha sorte é que você sabe desenhar, eu sempre quis aprender.
A minha sorte é ser desafiado mentalmente, questionado moralmente e meramente apaixonado.
A minha sorte é que o lençol que guarda as lembranças do fim de semana fica na minha cama.
A minha sorte é ter a chama, e não a tampa da panela.
A minha sorte é encaixar, moldar, montar o lego, entrelaçar, enraizar, acoplar seu corpo no meu perfeitamente.
A minha sorte é ter muita sorte.

O rosto que eu não esqueço

O nosso contrato já prevê o pior, se baseia em fatos vividos separadamente, como se do dia pra noite, de uma hora a outra, todo o sentimento pode se desvanecer como mágica, e consigamos facilmente esquecer nossos rostos.
Friamente calculou em me dizer que já não sentia mais como era antes, e que na cama ficou tão distante de tudo o que poderia ser.

Não me abandone, não

Não me abandone
Não vê todo medo em meu olhar?
E a insistência do desejo a me palpitar

Não me abandone
Nunca se sabe onde a dor pode doer
Onde as feridas da vida podem nascer

Não me abandone
Sem você o meu chão parece o ar
Minha cara tensiona de tanto chorar

Não me abandone
É quase o fracasso, não consegue ver?
Que eu pareço um fiasco esperando você

Não me abandone
Que as horas passam sem avisar
E a dor consegue se perpetuar

Não me abandone
Sem você a vida parece morrer
Sem você eu não sei mais viver

Não me abandone
Eu mereço uma explicação
E imploro o seu perdão
Por favor, não me abandone não

Doença: amor agudo

Ei doutor, o meu caso é sério, é caso de amor
O meu corpo está tremendo, e no estômago um bolor, minha cabeça que pesa, e meus olhos se perdem junto a ela.
Tem cura?
Tem creme que tire o toque da pele dele na minha?
Ou injeção que apague o que vivemos?
Colírio, droga, veneno que reviva meu olhos de fundo do poço?

...

Fugiu dos padrões, já não há dedos, números, significados que possam contabilizar a imensidão infinita, o eterno sentimento sublime que existe dentro de mim, que é você. 

Simpatizantes (barba por peitos)

É só uma questão de parede
Cada um come na sua
E não tem opinião

É só não sair do armário
Cada um com seus bugalhos 
Cada qual com a sua razão 

Meus impostos já estão pagos
Os meus rótulos estampados
Pátria amada escuridão 

E pobre da sociedade
Que não muda a mentalidade
Só assiste televisão 

Inflamado estou agora
Foragido, despeitado
Me escondendo do povão 

Depois de tanta farsa
De abafar tanta desgraça 
De poupar a imaginação 

Quero trocar minha barba
Por seus peitos de guerra
Vou mudar de estação 

Vamos lá minha cara
Eu uso seu sutiã  
E você minha navalha

Até dizer sim

Quanto tempo leva pra entender
O que você não sabe explicar
Se o tempo é curto eu não quero perder
Mas seu relógio não sabe contar 

Eu bem te chamo até me arrepender
Tentando nos seus olhos fixar
E bem quando eu desisto da pra ver
Que os seus olhos vem me procurar 

De vez em quando tenho a sensação 
Que não conheço mais os seus sinais
Se de repente você estica a mão
É porque já me deixou pra trás 

E quando eu te peço conclusão 
Pra por de vez um ponto no fim
Você faz graça com meu coração 
E eu enlouqueço até dizer que sim

segunda-feira, 22 de agosto de 2016

Daqui a distância

Eu gosto dessa distância que nos separa, o encontro é mais interessante e a despedida é sempre mais quente e os momentos são mais marcantes. 
Essa distância é a medida exata para nossa saudade, cabe apertada e fica cada vez menor.